A tecnologia avança sem a menor preocupação com os
obstáculos encontrados pela frente. Primeiro foi a fotocopiadora que possibilitou
copiar partes ou o livro inteiro. Depois surge outra forma mais eficaz, a
digitalização, que transforma qualquer tipo de papel em imagem digital.
É provável que tenha sido criada para facilitar o
armazenamento de documentos em papel. Não faço à mínima ideia de como e por que
a inventaram, mas o que sei é que a quantidade de informação gerada pelo homem
é descomunal. Devido a tanto papel repleto de informação e pouco espaço físico
para armazená-lo adequadamente, a digitalização ajudou na compactação dos
arquivos e na liberação de mais espaços físico. Agora, toneladas de papéis são
gravados digitalmente e armazenados em locais apropriados.
No caso do livro não foi diferente. Sua digitalização se
tornou assunto recente nos noticiários. A discussão envolve os que são a favor
e os que são contra a transformação das bibliotecas físicas em bibliotecas
virtuais. Acredito que este seja um caminho sem volta. Mais cedo ou mais tarde
o livro como o conhecemos deixara de existir.
A reflexão que faço a respeito da dependência do
armazenamento digital é quanto a sua proteção, ela precisa ser planejada e muito bem protegida, pois caso ocorra uma pane no sistema tudo se perderá. Anos de trabalho para nada.
Um fato semelhante já aconteceu na história. Os papiros e os
pergaminhos foram sendo deixados de ser usados a medida a impressão dos livros se popularizou. Provavelmente
muita coisa se perdeu no processo. O responsável pelo avanço tecnológico
foi Gutenberg. Sua invenção deu um novo conceito a forma de processar o conhecimento. Antes dele os copistas tinham papel de importância na propagação e preservação do conhecimento, mas com o advento da tipografia isso mudou. A profissão
acabou assim como o monopólio da Igreja.
Voltando ao tempo moderno, penso que a ideia de digitalizar
livro deve ter surgido por acaso e não por necessidade. Quando se percebeu o
benefício da digitalização do livro, outras obras foram aplicadas ao mesmo
processo. Perante praticidade, alguém teve a ideia de digitalizar as Bibliotecas.
Tudo corria bem até alguém questionar a forma como o acesso e o manuseio desse material
seria disponibilizado. Pronto! Estava implantada a discussão. Tem muita coisa em jogo por trás do tema que não cabe abordar aqui, mas que pode ser esclarecida com a leitura deste livro.
Pois então, enquanto escrevia e meditava sobre o assunto me ocorreu que um dia as bibliotecas deixarão de existir como conhecemos atualmente. Cheguei a essa conclusão enquanto olhava os livros da minha biblioteca. No futuro as elas caberão num pen drive ou na memória rígida de computador. Aquele glamour de ter uma biblioteca em casa como aquelas do Século XIX acabarão. E neste dia aparecerá algum historiador dizendo que os livros caíram no esquecimento assim com os pergaminhos e os papiros na época de Gutenberg.
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