Como sempre acontece, lá estava eu trabalhando tranquilamente quando fui atrapalhado por mais um daqueles pensamentos inusitado. Desta vez pensei em como seria se Jesus Cristo retornasse a Terra e fizesse tudo novamente. Como ele reagiria ao ver o mundo assim? Provavelmente falaria algo sobre a forma como os representantes da Igreja Católica agem e ensinam o evangelho. Eu imagino que faria como naquela época. Questionaria a religião, a tradição e o modo de vida das pessoas. Como reagiriam numa situação assim?
E você, como reagiria? É um pouco complicado de se imaginar, não acha!? Com essa dúvida em mente achei conveniente perguntar para alguns amigos o que fariam. Eles disseram que considerariam o sujeito louco. Ver um cara vestindo roupas que mais se parecem com um lençol, cabeludo e barbudo dizendo coisas sem sentido não é normal. Forcei um pouco mais na questão dizendo que o imaginasse contemporâneo e não como a imagem que tem dele.
Assim como meus amigos pensaram a respeito dele, imagino que você também tenha pensado nele contextualizado ao passado. Vestindo roupas da época e carregado de características ensinadas pela Igreja Católica. Essa imagem não é a correta para a questão. Ela pertenceu a um contexto e uma cultura diferente da nossa. Quero que o imagine inserido em nossa cultura atual. ”Ele estaria no meio de nós” – veja que sem querer usei uma expressão carregada de sentido religioso – trajando roupas iguais as nossas e com a aparência de um sujeito como você ou eu. Agora sim fica mais difícil de aceitá-lo, compreendê-lo e prestar atenção no que fala.
Faça de conta que você esta andando pela praça da cidade quando de repente é abordado por um sujeito assim. Ele se aproxima e começa a prega o evangelho, falar da forma como a Igreja Católica esta e dizer que é o messias. Qual a sua reação? Acreditaria num sujeito assim? Aposto que o evitaria e o consideraria louco.
Pois bem, agora voltemos ao contexto em que ele viveu. Pense na dificuldade que deve ter tido para convencer as pessoas. Desconfio que muitos não o tenham levado a sério. É bem provável que outros o tenham considerado um sujeito ousado em contrariar os ensinamentos religiosos e a tradição judaica. Aliás, eu acredito que tenha sido por causa dessa ousadia em afrontar a cultura, o costume e a religião dos judeus que o levou a cruz.
Por falar em crucificação é preciso esclarecer essa punição. Naquela época ser pregado na cruz significava que o sujeito havia transgredido a lei romana. Na maioria das vezes quem parava na cruz era rebelde, escravo e/ou ladrão. Tal fato é comprovado por si só, pois ao lado dele havia dois criminosos. Isso é um forte indício de que ele tenha sido um perigoso causador de discórdia. Ao pregar sua doutrina e contradizer a tradição judaica, o Sinédrio viu nele um problema a ser expurgado. Quanto ao povo, esse aglomerado de pessoas apenas tentava entendê-lo. Veja que em diversas passagens do evangelho o próprio Jesus diz que as pessoas não tinham capacidade de compreender direito o seu ensinamento. Os que o seguiram foram poucos. Seu círculo de amizade era pequeno. Somente após a sua morte o Cristianismo se propagou e isso se deu graças aos simpatizantes da sua doutrina.
O que justifica meu argumento sobre o povo não entendê-lo direito é que naquela época os judeus aguardavam a vinda do messias, ou seja, um líder que os guiariam na luta contra a dominação romana. Mas não era isso que Jesus pregava. Ele se referia a outro tipo de liberdade. E por causa desse equivoco houve uma manipulação por parte do Sinédrio para que o considerasse criminoso. Veja que se o povo não pede a libertação de Barrabas em detrimento a crucificação de Jesus não teríamos Cristianismo como o conhecemos hoje.
Retornando ao nosso Jesus contemporâneo. Fico tentando imaginar a reação das pessoas se isso acontecesse. Aposto que os representantes da Igreja – aqui englobo todos, sem deixar de lado nenhuma das vertentes do Cristianismo – o considerariam lunático e blasfemador. Seria mais ou menos como aconteceu com entre ele e o Sinédrio naquela época.
Agora volto a lhe perguntar: O que você faria se aparecesse um sujeito dizendo ser Jesus Cristo? Antes de responder reflita levando-se em conta o contexto histórico. Se disser que é difícil de acreditar em tal hipótese, então não teria sido diferente naquela época.
Lembre-se que se um dia algo semelhante acontecer, “muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.” (Mateus 22:12), e “quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!” (Marcos 10,2-16).
0 comentários:
Postar um comentário