16 de fevereiro de 2011

E SE JESUS VOLTASSE, COMO SERIA?

Como sempre acontece, lá estava eu trabalhando tranquilamente quando fui atrapalhado por mais um daqueles pensamentos inusitado. Desta vez pensei em como seria se Jesus Cristo retornasse a Terra e fizesse tudo novamente. Como ele reagiria ao ver o mundo assim? Provavelmente falaria algo sobre a forma como os representantes da Igreja Católica agem e ensinam o evangelho. Eu imagino que faria como naquela época. Questionaria a religião, a tradição e o modo de vida das pessoas. Como reagiriam numa situação assim?

E você, como reagiria? É um pouco complicado de se imaginar, não acha!? Com essa dúvida em mente achei conveniente perguntar para alguns amigos o que fariam. Eles disseram que considerariam o sujeito louco. Ver um cara vestindo roupas que mais se parecem com um lençol, cabeludo e barbudo dizendo coisas sem sentido não é normal. Forcei um pouco mais na questão dizendo que o imaginasse contemporâneo e não como a imagem que tem dele.

Assim como meus amigos pensaram a respeito dele, imagino que você também tenha pensado nele contextualizado ao passado. Vestindo roupas da época e carregado de características ensinadas pela Igreja Católica. Essa imagem não é a correta para a questão. Ela pertenceu a um contexto e uma cultura diferente da nossa. Quero que o imagine inserido em nossa cultura atual. ”Ele estaria no meio de nós” – veja que sem querer usei uma expressão carregada de sentido religioso – trajando roupas iguais as nossas e com a aparência de um sujeito como você ou eu. Agora sim fica mais difícil de aceitá-lo, compreendê-lo e prestar atenção no que fala.

Faça de conta que você esta andando pela praça da cidade quando de repente é abordado por um sujeito assim. Ele se aproxima e começa a prega o evangelho, falar da forma como a Igreja Católica esta e dizer que é o messias. Qual a sua reação? Acreditaria num sujeito assim? Aposto que o evitaria e o consideraria louco.

Pois bem, agora voltemos ao contexto em que ele viveu. Pense na dificuldade que deve ter tido para convencer as pessoas. Desconfio que muitos não o tenham levado a sério. É bem provável que outros o tenham considerado um sujeito ousado em contrariar os ensinamentos religiosos e a tradição judaica. Aliás, eu acredito que tenha sido por causa dessa ousadia em afrontar a cultura, o costume e a religião dos judeus que o levou a cruz.

Por falar em crucificação é preciso esclarecer essa punição. Naquela época ser pregado na cruz significava que o sujeito havia transgredido a lei romana. Na maioria das vezes quem parava na cruz era rebelde, escravo e/ou ladrão. Tal fato é comprovado por si só, pois ao lado dele havia dois criminosos. Isso é um forte indício de que ele tenha sido um perigoso causador de discórdia. Ao pregar sua doutrina e contradizer a tradição judaica, o Sinédrio viu nele um problema a ser expurgado. Quanto ao povo, esse aglomerado de pessoas apenas tentava entendê-lo. Veja que em diversas passagens do evangelho o próprio Jesus diz que as pessoas não tinham capacidade de compreender direito o seu ensinamento. Os que o seguiram foram poucos. Seu círculo de amizade era pequeno. Somente após a sua morte o Cristianismo se propagou e isso se deu graças aos simpatizantes da sua doutrina.

O que justifica meu argumento sobre o povo não entendê-lo direito é que naquela época os judeus aguardavam a vinda do messias, ou seja, um líder que os guiariam na luta contra a dominação romana. Mas não era isso que Jesus pregava. Ele se referia a outro tipo de liberdade. E por causa desse equivoco houve uma manipulação por parte do Sinédrio para que o considerasse criminoso. Veja que se o povo não pede a libertação de Barrabas em detrimento a crucificação de Jesus não teríamos Cristianismo como o conhecemos hoje.

Retornando ao nosso Jesus contemporâneo. Fico tentando imaginar a reação das pessoas se isso acontecesse. Aposto que os representantes da Igreja – aqui englobo todos, sem deixar de lado nenhuma das vertentes do Cristianismo – o considerariam lunático e blasfemador. Seria mais ou menos como aconteceu com entre ele e o Sinédrio naquela época.

Agora volto a lhe perguntar: O que você faria se aparecesse um sujeito dizendo ser Jesus Cristo? Antes de responder reflita levando-se em conta o contexto histórico. Se disser que é difícil de acreditar em tal hipótese, então não teria sido diferente naquela época.

Lembre-se que se um dia algo semelhante acontecer, “muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.” (Mateus 22:12), e “quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!” (Marcos 10,2-16).

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