Já perdi a conta de quantas vezes ouvi as pessoas dizerem “eu não acredito!” para isso ou para aquilo. Eu mesmo já soltei a expressão algumas vezes. Hoje tento evitá-la a todo custo. Não vejo necessidade em dizê-la. Quando alguém fala que viu, aconteceu, presenciou, ou o quer que seja numa conversa logo aparece alguém para dizer: “eu não acredito!”.
Por que dizê-la se o que foi falado é o que realmente é! No meu entendimento é uma expressão sem sentido. Dizer “eu não acredito!” teria que ser numa circunstância nada convencional. Do tipo: “Eu vi um E.T., uma alma penada, um monstro, o bicho papão, o Papai Noel, o Saci Pererê, etc...” Enfim, teria que ser para algo que não seja tão comum e de difícil credibilidade. Perceberam onde quero chegar?
Não entendo muito bem o que leva uma pessoa a falar “eu não acredito!” para qualquer coisa. É comum usá-la em momentos de espanto ou dúvida. Ilustrarei o que quero dizer usando para isso alguns casos corriqueiros:
Imagine o marido dizendo para esposa: “O cachorro fez cocô no tapete da sala de novo!” Em seguida a esposa grita da cozinha: “Eu não acredito!”
Puxa vida... o cocô está no meio do tapete bem na frente do marido que presenciou a defecação canina e a esposa diz que não acredita. Tem cabimento?!
Veja este outro caso. Dois torcedores assistem ao jogo do seu time. Em determinado momento um vai ao banheiro aliviar a bexiga, e neste lapso de ausência o time adversário marca um gol. O amigo que ficou na sala grita: “Puta merda!!! O goleiro do nosso time tomou um frango!!!” Antes mesmo de finalizar a frase o que esta aliviando a bexiga grita: “Eu não acredito!”. No que ele não acredita?! No que seu amigo da sala falou, ou que seu time tomou o gol?
Estão vendo como as pessoas dizem “Eu não acredito!” à toa. Geralmente se ouve em casos que não tem por que ser falada. O que leva as pessoas a dizê-la? Será que é algum tipo de pensamento involuntário?! Deve ser falta do que falar no momento, só pode ser.
Quer mais um caso de inutilidade em que se ouve frequentemente a expressão? Vamos lá. Imagine duas pessoas conversam acaloradamente quando num determinado momento uma diz a outra: “Que horas são?”. A outra responde: “cinco e meia.”. Em função do espanto pelo adiantamento da hora se ouve: “Eu não acredito! Como a hora passou rápido!”.
Conseguiram entender onde quis chegar com minha divagação? Espero que tenham entendido a inutilidade da expressão “eu não acredito!” em determinados momentos.
Nossa! Eu não acredito que acabei de escrever tudo isso. Juro que eu não acredito mesmo.
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